Chá Preto do Ceilão: um clássico

16 fev 21
Chá Preto do Ceilão: um clássico

Além das 6 variedades de chá que existem, criadas a partir da Camellia sinensis, há ainda uma diversidade de tipos de chás, de acordo com sua origem. Um exemplo é o chá preto do Ceilão, que é popular no mundo todo e designa uma característica única.

Ficou confuso? O chá preto é um tipo de chá, pois passa por um processo de produção diferente dos demais, por isso recebe essa classificação. 

No entanto, a região onde ele é cultivado interfere diretamente no perfil do chá, também conhecido como terroir, do qual já falamos aqui no blog, adicionando características exclusivas de aromas, sabores e cor do licor.

De acordo com especialistas em chás, o Sri Lanka é o lugar que produz as melhores qualidades de chá preto até hoje. Por isso, é bem comum encontrar em rótulos de chás a identificação da origem. Ou seja,  Chá Preto do Ceilão significa que são ervas premium.

Embora seja um país pequeno, o Sri Lanka é considerado o quarto maior produtor de chá no mundo.

Quase todo o chá produzido tem como destino a exportação e mais de um milhão de pessoas trabalham no setor. Detalhe: toda a colheita das folhas é feita de forma manual, pelas mãos de centenas de trabalhadores.

detalhe chá preto pronto

História do Sri Lanka, antigo Ceilão

Para entender um pouco sobre os chás, é preciso conhecer um pouco de história. Em 1815 a Ilha do Ceilão ficou sob o controle da Grã Bretanha e passou por diversos episódios históricos, que iremos falar mais adiante.

Em 1972, o Ceilão se tornou independente e virou a República do Sri Lanka, mas manteve ainda o “Ceilão” como denominação de origem dos chás, devido ao marketing que havia sido criado em todo mundo para a região.

A influência britânica foi tão forte no cultivo dos chás, que as plantações adquiriram o formato dos jardins britânicos.

Em 1880, a economia do Ceilão era baseada na produção de café (sim, CAFÉ) com inúmeras propriedades e muita mão de obra voltada para a manutenção dos negócios.

O cultivo cafeeiro era tão próspero e de qualidade, que chegou a estar entre os melhores cafés do mundo.

No entanto, uma crise econômica estava prestes a atingir a região e em paralelo, um desastre estava prestes a surgir.

Conhecida como o “fungo da ferrugem”, a praga se alastrou por dezenas de plantações de café, criando um colapso e falência de muitos produtores.

Boa parte dos donos de terras acabaram vendendo suas propriedades por preços abaixo do mercado, por necessidade.

A solução imediata foi buscar uma diversificação de safras, para evitar uma ruína total. 

O início da produção de chá preto no Ceilão

Neste período, já havia um certo interesse na indústria do chá, mas sem grande impacto. Em 1866, um escocês chamado Jaymes Taylor foi selecionado para ser o responsável pelo primeiro plantio de sementes de chá. 

Ele já tinha experiência com chá e por isso, criou uma espécie de laboratório caseiro para fazer experimentos de fabricação na varanda de sua casa.

De acordo com relatos históricos, Jaymes enrolava as folhas manualmente e fazia a oxidação em fogões de barro.

Os primeiros chás produzidos por eles foram vendidos na própria região e eram considerados de boa qualidade pelos consumidores que provaram.

folhas de cha preto
Detalhes da folha de chá preto

O resultado impulsionou o negócio e em 1872 James abriu uma fábrica, totalmente equipada para a época e no ano seguinte, os chás de primeira qualidade foram vendidos a um preço valioso no leilão de Londres. 

O sucesso da produção inicial de chá impulsionou o mercado e fez a economia da região crescer com a produção de chá, importando toneladas para o mundo inteiro.

A expansão da indústria de chás chamou a atenção dos britânicos, que rapidamente adquiriram propriedades.

Uma delas, foi adquirido por um sobrenome bem conhecido até hoje: Thomas J. Lipton. Filho de pobres imigrantes irlandeses, Lipton cresceu em uma favela e com apenas 10 anos de idade, se mudou para a América do Norte, para trabalhar e ajudar no sustento da família. 

Com grandes habilidades comerciais, aos 21 anos Lipton já tinha seu próprio negócio e poucos anos depois, já era um milionário e tinha muitas lojas – espécies de mercados – espalhadas pela Grã Bretanha.

Em uma das suas viagens de férias a caminho da Austrália, Thomas parou no Ceilão, pois tinha interesse em ter chá como um grande produto em suas lojas. 

A intenção era produzir sem intermediários e levar diretamente para sua empresa, reduzindo assim os custos e podendo tornar o chá acessível para os consumidores.

Conhecido por ser um empreendedor muito criativo, Lipton não só montou sua própria fábrica de chá, como inovou na maneira de comercializá-lo. 

Ao invés de vender em uma caixa, de forma solta, ele decidiu empacotar os chás em embalagens coloridas, com o slogan “Direto dos jardins de chá para o bule de chá”.

O sucesso foi tamanho que os chás Lipton passaram a ser vendidos em outras lojas, para conseguir atender a demanda do público e logo se tornou uma marca famosa em todo o mundo.

O que significa ser um chá preto do Ceilão?

Os chás são cultivados em regiões montanhosas diferentes, conhecidas como alta, média ou baixa. De acordo com especialistas, possuem as condições ideais para o crescimento de um chá de boa qualidade.

chá preto licor

Os fatores climáticos de cada área afetam diretamente a qualidade e o perfil do chá, o que proporciona diferentes variedades com características únicas.

Principais regiões produtoras de chá do Celião

As principais regiões produtoras são Kandy, Nuwara Eliya, Dimbula e Uva. O cultivo é classificado entre alto, médio e baixo, que está relacionado com as altitudes das plantações. Ou seja, de acordo com a classificação e o nome da área de cultivo, é possível descobrir qual é o perfil do chá produzido.

Kandy

Localizada em altitudes que variam de 750 a 1200 metros acima do nível do mar, Kendy é classificada como média.

Essa é uma das regiões que produz maior variedade de estilos, desde chás de folhas soltas até chás para serem usados em saquinhos, triturados.

O chá preto desta localidade costuma ser mais forte e robusto, usados principalmente para criar blends como Earl Grey e English Breakfast.

Uma curiosidade é que existe – de forma bem tímida – a produção de chá verde estilo chinês, como o gunpowder e chun mee.

Nuwara Eliya

Classificada como Alta, Nuwaya Eliya é o ponto mais alto da ilha, cerca de 1868 metros acima do nível do mar. 

É onde as temperaturas mais baixas atingem as plantações, com fortes ventos e geada. Isso faz com que os botões das plantas se desenvolvam de forma mais devagar, o que resulta em um chá com perfil doce e frutado.

Dimbula

Uma área bem montanhosa, onde o cultivo fica entre 1000 e 1700 m de altitude e classificado como alto. De maio a setembro, a chuva é intensa e ininterrupta e por isso, os chás adquirem sabor forte, encorpado, saborosos e muito aromáticos.

Uva

Localizada a 1000 e 1700m acima do nível do mar, Uva enfrenta uma temporada de ventos que afetam diretamente as folhas de chá. 

O clima chuvoso e com ventos fortes faz com que o crescimento dos arbustos seja lento, a fotossíntese natural é interrompida e os botões das plantas se fecham para preservar a umidade.

Essa característica faz com que as folhas sejam mais doces, suaves e delicadas, sendo uma das variedades mais caras.

Clube de Assinatura de Chá

No Clube de Assinatura de Chá, o Chá preto do Ceilão já esteve presente em diversas seleções, como na Tea Box de Janeiro de 2021, Julho de 2020, Fevereiro, Junho e Dezembro de 2019.

Todos eles foram apresentados de forma completamente diferentes, com características únicas, proporcionando uma degustação deliciosa por diversas regiões do Sri Lanka, mas no conforto de casa.

Para saber mais sobre o Clube, acesse aqui.